Reflexões sobre cuidados em saúde | A perda de autonomia no envelhecimento

O envelhecimento é uma das fases do ciclo de vida de todos os seres vivos. As perdas físicas ocorrem como consequência da morte celular. Há uma progressiva degradação orgânica, as patologias tornam-se mais frequentes, há uma diminuição da elasticidade com maior desgaste articular e tendinoso com o aparecimento de dores.

 

Mas as mudanças não são apenas a nível físico... A nível emocional há todo um processo de luto, muitas vezes pouco compreendido. Luto do “eu” jovem,  luto da “mulher” ou do “homem” que foram, o luto de passarem de “cuidadores” a “cuidados”. No fundo, um luto das competências sociais,profissionais e familiares que ao longo de vários anos foram adquirindo, que agora aos poucos e sem aviso se tornam verdadeiros pesadelos. Dificuldade crescente em cuidar de si próprios faz muitas vezes com que os familiares mais próximos optem por os colocares em Casa de Acolhimento para Idosos ou “Lares”. Não o fazem por falta de amor ou carinho, mas por preocupação e por necessitarem de cuidados 24 horas por dia, no entanto, muitas vezes, sem terem a real percepção do sofrimento e frustação que a

perda de competências causa nos idosos. A degradação física é na maioria dos casos muito mais marcada que a intelectual, pelo que a consciência das novas limitações pode ser devastadora para o indivíduo, conduzindo a quadros de depressão. Embora o envelhecimento seja um processo natural, muito poucos estão verdadeiramente preparados para ele.

 

Os profissionais de saúde devem promover a autonomia física e mental dos seus utentes sempre que possível. Nas consultas ditas de geriatria é importante estimular a prática de exercício físico adaptado à idade, uma alimentação equilibrada rica em frutas e legumes,e a promoção de actividades sociais. Pertencer ao rancho folclórico, a um grupo da paróquia ou estar ligado a uma universidade sénior, são exemplos de actividades, que ajudam a promover a autonomia. Estudos científicos demonstraram que a auto-estima, uma boa rede de suporte social e sentimento de pertença são fundamentais para a manutenção da autonomia.

 

Mas quando as pequenas falhas se acumulam e o idoso já não consegue assegurar a sua independência, a sua opinião sobre o próximo passo da sua vida deve ser sempre auscultada. Actualmente existem diversas estruturas sociais com serviços de apoio domiciliário, que colaboram com o cuidador. As unidades de cuidados de saúde primários estão preparadas para avaliar, orientar e ensinar o cuidador em todo este processo. 

 

O aumento da longevidade é uma consequência da melhoria das condições de vida e avanços da ciência e como tal dever ser cuidado e protegido.

 

 

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